Experiência norte-americana mostra que substância presente na pimenta é capaz de gerar efeito anestésico sem perdas de movimento

O estudo testado em ratos combinou a molécula QX-314 – anestésico – e a capsaicina – composto encontrado na pimenta. 

O pesquisador Bruce Bean e colegas da Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, Massachusetts realizaram um estudo com a anestesia convencional local e com uma substância presente na pimenta que resultou em um efeito anestésico sem a perda de movimentos e sensibilidade a toques.

 Segundo matéria de Kerri Smith publicada na “Nature” em outubro de 2007, normalmente as anestesias locais agem bloqueando todos os canais das células nervosas, assim a dor não é sentida, no entanto, movimentos e toques também não. Para atingir apenas as células nervosas responsáveis pela sensação de dor, os autores utilizaram um canal de íon chamado TRPV1. 

Segundo a matéria, esse canal é sensível à substância presente na pimenta – capsaicina, ou seja, ao contatá-la, ele se abre. Assim, os cientistas prepararam um composto com a capsaicina e com a molécula QX-314 presente no anestésico comum local. Em cultura de neurônios, eles observaram que ao abrir o canal TRPV1, a substância da pimenta, permitiu que o anestésico penetrasse e agisse seletivamente na célula nervosa responsável pela dor.

Os pesquisadores testaram o efeito do composto também em seres vivos. Ao injetá-lo em ratos, confirmaram que “os animais não reagiram a estímulos normais de dor aplicados em suas patas enquanto o anestésico tinha efeito. Mas os ratos puderam se mover normalmente”, diz a matéria.

Segundo Michael Caterina, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, a capsaicina, e o canal TRPV1 já eram estudados há algum tempo. No entanto, a substância da pimenta ao ser injetada produzia sensação de ardência e não podia ser usada em altas doses. Ele explica na matéria, que nesse experimento com a inoculação da capsaicina ao mesmo tempo em que a QX-314, a sensação de ardência é aliviada. Essa nova técnica pode beneficiar uma série de procedimentos, revela a publicação.

 Dentre elas, o parto, dores crônicas e técnicas da odontologia. Neste último caso, o bloqueio, apenas das células da dor, ajudaria no controle da salivação.  Em matéria da “Nature”, o co-autor do trabalho, Clifford Woolf, anestesiologista do Hospital Geral de Massachusetts, afirma que a experiência pode direcionar para uma nova terapia muito rapidamente. Bruce Bean acrescenta que nos experimentos inicias foram utilizadas moléculas que eles conheciam, mas que em um futuro próximo novos agentes poderão ser usados, o que poderá conferir um efeito anestésico mais duradouro.

Agência Notisa

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